A Vingança Que Não Aconteceu













     E a saga de Andrea Sachs e da marcante Miranda Priestly continua. Ou assim parece a julgar pelo título da nova história de Lauren Weisberger. Uma continuação e uma promessa de ler novamente e saber o que aconteceu com essas personagens que conquistaram leitores mundo a fora. Publicado originalmente em 2013, a versão em português foi lançada no mesmo ano pela editora Record, assim como todas as obras da autora, com a seguinte sinopse:

"Depois de abandonar o emprego na Runway há quase dez anos e se livrar da insuportável Miranda Priestly, Andrea Sachs agora é a bem-sucedida editora de uma revista de luxo sobre casamentos, a Plunge. Ao lado de Emily, antiga colega de trabalho e sua atual melhor amiga, sua vida não poderia estará melhor: além do sucesso do novo empreendimento, ela está prestes a casar com um dos solteiros mais cobiçados de Nova York. Mas uma semana antes do casamento, um fantasma do passado, ou melhor, um diabo, volta a assombrá-la."

     Depois disso as expectativas só cresceram e as vendas também. No entanto, assim que as primeiras críticas foram divulgadas, a empolgação diminuiu e os leitores ansiosos se tornaram leitores frustrados quando perceberam que a história não tinha nada a ver com o  título; a alardeada vingança era uma promessa não cumprida, e o resto uma grande embromação desnecessária e entediante. Nada de reencontros impactantes, confrontos intensos e principalmente, nada de vingança. De nenhumas das partes. E isso foi o mais frustrante de tudo. O que levou os leitores a se perguntarem: por que Lauren trouxe esses personagens de volta em um novo livro se não tinha nada de interessante para acrescentar à história? Seria melhor um enredo  novo, com novos personagens e sem nenhuma relação com "O Diabo Veste Prada". Mas não, Lauren quis usar o seu trabalho mais famoso e querido para chamar atenção dos fãs. E o resultado foi um livro dispensável e cheio de erros gritantes que irritam ate o mais fanático e paciente leitor.

     Entre os erros, o maior de todos foi a ausência de Miranda em grande parte da história; a editora-chefe da Runway apareceu poucas vezes e nenhuma delas foi memorável. A personagem foi muitas vezes citada pelos outros personagens, principalmente Andrea, mas a presença deixou a desejar. Nas poucas vezes que pareceu, quatro vezes exatamente, não causou o impacto que deveria. A não ser pelo medo da mocinha, que abusou da covardia e omissão, ninguém sentiu a força da mulher que já atormentou toda uma revista no livro anterior. Mas esse não foi o único detalhe que irritou os fãs. As atitudes de Andrea, ou a falta delas, incomodou bastante os leitores do começo ao fim. A protagonista não teve importância nenhuma no desenrolar da história e nada acrescentou a narrativa. Com um comportamento omisso e apático, Andrea parecia uma coadjuvante sem função na trama. Desde o começo tudo que acontece é decidido pelos outros, principalmente Emily, a ex-colega de trabalho e supostamente a melhor amiga de Andrea. Aliás, essa amizade é outra coisa sem nenhuma lógica na história. Nos diálogos entre as duas personagens percebe-se uma falsidade e até um pouco de irritação por parte Emily, como se não suportasse a amiga e sócia. Andrea por outro lado, comporta-se como a mais fiel e leal amiga, e chega a ser muito ingênua e até um pouco permissiva demais.

     O que leva a grande pergunta: quem manda na Plunge, a revista sobre casamentos criada por Andrea e coadministrada por ela e Emily? Teoricamente, as duas, porém, na prática, quem decide tudo é somente Emily, e Andrea apenas assiste tudo e permite acontecer. O único momento em que a protagonista esboça alguma reação é no final do livro, depois de ser enganada pela "melhor amiga" e pelo marido Max, o homem descrito como um príncipe perfeito no início da história. A partir dai Andrea toma atitudes, mas ainda conserva um pouco do jeito mosca morta e não passa a força que qualquer protagonista precisa ter, independente do gênero literário do livro. Não é atoa que Andrea e Miranda não tiveram um confronto direto e intenso. Na verdade, não houve nada próximo disso. O mais parecido com isso foi um momento de irritação em uma das passagens do livro em que as duas se encontram junto com Emily, mas nada realmente impressionante e com um desfecho anticlimático, como a história toda aliás: sem climax e nada de interessante. Afinal o maior atrativo do livro é justamente o reencontro e possível confronto entre as duas mulheres e foi justamente o que faltou na história. A impressão final é de engano e ilusão por um livro que nem deveria ter sido escrito.





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